terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Os velhos olhos vermelhos voltaram



A idéia de dividir meus textos em temporadas é uma tentativa de dar nome à fase da vida que estou. Olhando do primeiro texto ate o ultimo vejo o quant
o mudei, tanto em assuntos como em perspectivas. Evoluir é o processo natural para todo o ser humano, por isso não vejo mais ‘Blues’ na minha vida. Então mudo o nome que não alterará o conteúdo, mas apenas anunciará o modo como tudo será visto.

Com vocês a segunda temporada do Crônicas: Miracle of two



*Enjoy*

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"Os meus ciúmes eram intensos, mas curtos;
com pouco derrubaria tudo,
mas com o mesmo pouco ou menos
reconstruiria o céu, a t
erra e as estrelas."
Capítulo CVII de Dom Casmurro de Machado de Assis






Começar a namorar as vésperas do carnaval é considerado por muitos um suicídio emocional. É preciso estômago, saco e coração para resistir à tentação e/ou não ver o seu relacionamento virar confete na frente de um arlequim. Carnavais eu já tive alguns, logo de pierrô eu não tenho nada. Mas o carnaval realmente se tornou um teste para mim. Teste para mim e principalmente para ele. Mas nem foi preciso ver a banda passar para que o resultado aparecesse.

Centro do Rio. 37°C e vários passantes. Suor, cigarro e urina. O típico cheiro do centro de qualquer metrópole. Algumas pessoas olham seus relógios contando os segundos do ultimo dia antes do oba-oba dos blocos enquanto outras gritam seus produtos querendo ganhar os últimos quaisquer com o evento. As cores saturadas e vibrantes do Saara, o principal centro comercial do Rio, faziam parte do nosso cenário. A procura de uma fantasia era apenas uma desculpa para desbravarmos os cantos das lojas coloridas e passarmos um tempo juntos.

Vimos máscaras, perucas e toda a sorte de apetrechos até acharmos as fantasias que queríamos. Ele, com seus cabelos enrolados, seria um anjo surfista de bermudão e tudo. Eu com minha boa e velha calça skinny seria um demônio roqueiro. Um casal feito de opostos. Mas estou falando apenas da fantasia. A tarde de compras passou rápido e logo já era noite. Pegamos as sacolas e fomos curtir a Lapa.




Sentamos no Bar Arco-íris. Acho que antigamente o bar tinha algo de gay, vide o nome, mas acho que foi apenas isso que sobrou por que me pareceu um bar como outro qualquer com portas abertas para quem quer pagar a próxima rodada. E rodada após rodada nós estávamos lá, conversando e bebendo em assuntos sem fim. Não precisava de mais nada. Talvez de mais uma rodada, mas isso não foi problema. Acho que acabei falando para ele do blog, mas não dei o endereço. Não que tenha algo a esconder, mas acho que este espaço deva ficar guardado para mim.



Lá pelas tantas da noite, Fabio e Henrique me ligam. Desde que comecei o namoro não tenho saído muito com eles. Em parte por incompatibilidade financeira, mas a verdade mesmo é que desisti da madrugada. Eduardo foi o empurrão que faltava para que eu saísse das luzes estroboscópicas e flertes efêmeros. O que não quer dizer que desisti dos amigos. Henrique chegou primeiro acompanhado de dois colegas meio afetados, Marcos e Vinicius. Ambos tinham caipirinhas baratas nas mãos e moravam na zona sul. Típicos baladeiros. E enquanto diziam suas teorias sobre o carnaval ser melhor à noite ‘quando as pessoas estão mais quentes’, um dos moçoilos resolve ser solicito pra cima do meu homem.

“Ooooi, você quer um pouquinhoooww...”, disse com a voz arrastada, fazendo malabarismos linguais com o canudo e olhando esticado para os braços dele. “Ta tão gostoooosoooww...” e passa a mão no ombro dele.

Na hora, segurei o outro braço dele e sutilmente apertei. Não ia fazer cena, mas também não ia deixar barato. Com a cara mais lavada, cerrei os dentes e disse pra biscate fuzilando-a com o olhar “Não, querida, já estamos bebendo cerveja. Obrigado...”.

Olho para Eduardo e ele faz cara de interrogação.
“Aconteceu alguma coisa?”
“Alguma coisa?!? Você não viu aquelezinho
todo se querendo pra cima de você? Quase dei na cara dele... Que abuso!”
“Own... que bonito, meu ciumentinho...”

Ele me abraçou e logo me acalmei. Ele nem tinha reparado, é muito desligado nisso. Mas eu não sou e fiquei na raivinha da bicha. Não me entendam mal, não é ciúme. Ciúme é inventar uma situação de traição, ver mais do que realmente acontece e eu não inventei isso. Foi claro e evidente que o outro estava com segundas intenções para cima do meu Edu, o que foi puro desrespeito que não sou obrigado a agüentar ou tolerar.



Fabio chegou mais tarde e a noite se amenizou matando as saudades. Os meninos estavam na fila para uma festa e logo os semi-conhecidos começaram a aparecer. Dentre eles, Gustavo. Acho que já falei dele aqui, mas com outro nome que não vou recordar agora. O caso é que ele é um ex-caso. Simpático, veio me perguntar como estava e tudo mais. Tudo muito bem, mas havia algo de extremamente perturbador nele. Talvez porque ele conversava comigo olhando para a porta. A porta que estava atrás dele. Ou por que estivesse nervoso e quase monossilábico. Mas olhando para ele vi todos os tipos comuns de festa, mesmo àqueles que não se importariam em falar comigo na porta da festa, e pensei que poderia sim entrar naquele lugar e colocar metade dos homens aos meus pés, mas que nenhum deles me olharia nos olhos do mesmo jeito ou me faria reagir daquela maneira com raiva de um desrespeito como o cara que eu escolhi.

Sendo assim, os meninos entram na festa e eu voltei para casa com Edu.
E o carnaval começou.


*sobem os créditos*


Para ouvir depois de ler: the Killers - Mr. Brightside

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Eduardo apresentou seus amigos ao seu namorado durante a Banda de Ipanema e teve sua carteira roubada na Farme de Amoedo. Amaldiçoou o carnaval, mas saiu em uma escola de samba como destaque do abre alas.

Fabio encontrou um amor que o fez terminar com os sete casos que mantinha. Ele podia ser encontrado ontem dançando sem camisa em alguma boate no Rio.

Henrique saiu em quase todos os blocos e participou de um concurso de camiseta molhada, realizando assim sua fantasia de ser Pamela Anderson.


Marcos
[a bicha solicita] morreu atropelado por um trio elétrico desgovernado. Mentira. Mas eu queria que fosse verdade.


Gustavo conheceu um Holandês no Posto 9 que quer levá-lo para morar com ele. Gustavo ainda não contou que está no armário, nem para o gringo nem para a mãe.



Luiz Carlos escreve na madrugada porque não tem saco de ver os desfiles na Globo. Mas ainda assim está feliz por estar comemorando o seu primeiro carnaval ao lado de Edu.

7 comentários:

  1. A introdução do texto lembra muito meu post atual, variando provavelmente a concepção.

    E convenhamos é preciso muita maturidade e consciência pra iniciar um namoro no carnaval.

    Vida longa ao seu.

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  2. PS: Encarar o calor (infernal) do Centro do Rio nessa época do ano é digno de condecoração.

    Não suporto o calor que faz aqui.

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  3. antes d mais nd, eduardo não e ukm nome bom

    me lembra coisas ruins

    e outra, quem eh esse doente mental q diz q o carnaval a noite eh melhor?!

    d dia eh mt mais animado

    xx

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  4. oi amigo...
    Calro que vc pode me linkar...
    O seu ja ta linkado...

    Vou passar aqui consantemente!!!

    Bjos do brian

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  5. Namoro no Carnaval? Então, acabou na quarta-feira?

    Abraços,

    Enfil

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  6. namoro no carnaval exige mta boa vontade.

    na verdade, acho que namoro em qualquer epoca exige mta boa vontade.

    bração!

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  7. Caranval é um perigo, tive que fuzilar uns dois com olhares pra ver se se tocavam heheh =D Boa sorte no namoro..

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