sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mais cinco minutos


Ta tudo errado.
Cinco e trinta e cinco não é uma hora humana para se acordar, é um pesadelo.
O despertador no alto do seu estridente alarme é apalpado de todas as maneiras para que se cale.
Mais cinco minutos de semi consciência em que se deseja se rebelar contra tudo simplesmente fechando os olhos. Fodam-se os compromissos e as pessoas que dependem de mim, minha cama é o meu mundo agora. Por cinco minutos apenas.
É assim que se entra em parafuso. É assim que se esquece quem é.
Passo por passo vou pegando coisas no chão que possam me dar uma pista do que eu tenho de fazer hoje.O tempo do lado de fora é medido de forma diferente. Enquanto um sapato é colocado, minha cabeça já fez mil cálculos. Como começar? Como explicar o que parou? Porque deveria me importar? A casa não é minha, o espaço não é meu e a vontade eterna de recomeçar é apenas outro meio de dizer que tudo está uma merda, o que a esta hora da noite eu não posso dizer se é verdade.
Se você me conhece da vida real, provavelmente vai me deixar passar.
Se já me viu em algum lugar online, pensará duas vezes.
Mas se você não sabe quem sou, volte agora. Não tem saída para onde eu quero ir. Mas bem que posso usar a sua companhia. Meu nome é Marc. Eu sou o novo autor-herdeiro de Crônicas. Gostem ou não, pelo menos é uma continuação...



“Nº2: Quando algo é bonito automaticamente é verdadeiro.”
James St.James, Party Monster

domingo, 18 de outubro de 2009

Cafeteria





:Oi, você pode pegar uma colher para mim?

:Sim, toma. [...] Ta tudo bem com você, Luis?

:Ta, ta tudo bem. As coisas só andam um pouco agitadas e... quer um pouco de café?

:Não, obrigado... Mas noticias suas seriam legais.

:Nossa, não sabia que sentia tanta falta assim de mim.

:Não sinto. Mas costumo me perguntar porque as pessoas somem desse jeito.

:Ah, você sabe... O de sempre... São as mesmas velhas desculpas de trabalho, falta de dinheiro e de tempo.

:Ta, isso é o que você responde para os outros. Acho que já conversamos a tempo suficiente para um pouquinho de consideração, não?

:Ok, ok. Desculpe. É só que as coisas loucas de sempre estão mais loucas que de costume. E devo dizer que minha vida andou ocilando para tal nível de drama, que ia competir com as novelas do SBT – o que não era o meu objetivo. Mas nada que merece preocupação. Por exemplo, Fabio voltou com o Jornalista niteroiense, a qual eu já havia falado. Não sei se vai dar certo, mas o fato é que ele parece feliz e eu só posso aplaudir o relacionamento.[...] Henrique também. Ele ainda está com Rogério, mas não sei bem porque cada dia mais a gente se distancia. [...] Minha mãe decidiu lançar suas memórias e me pediu para ser o revisor. O engraçado é que antes do terceiro capitulo o livro já virou burburinho entre os familiares, com alguns ameaçando de processo e tudo. O que só fez o livro se tornar mais e mais interessante. [...]

:Não esquece de me mandar uma cópia. Mas até agora você só falou dos outros. E você?

:Eu? [...] Bem, eu ainda estou um pouco confuso sobre muita coisa. Tinha parado de postar porque estava experimentando coisas novas. Um pouco de ilustração, um pouco de musica, fotografia. E acabei me perdendo nisso tudo. [...] Eu e eduardo fizemos oito meses semana passada. E eu fui para São Paulo. Sozinho. Não foi por opção, mas meio que virou uma crise entre nós. Mas não é nada demais. Nada que possamos solucionar. Mas tenho de dizer que aquela cidade mexeu comigo.

:Ah, não... Vai me dizer que aconteceu ‘alguma coisa’ lá?

:Se esta me perguntando se eu traí o Eduardo eu digo que não, não aconteceu. E não tem nada a ver com isso. Acho apenas que fiquei deslumbrado com o que vi. E olha que eu não vi muita coisa.

:Então é um carioca considerando virar paulista?

: Não me entenda mal. Eu conheci pessoas e lugares com o estilo de vida que eu gostaria para mim. E apesar de achar que as Olimpíadas não vão ajudar nada a cidade, eu ainda amo muito o Rio. Tem pessoas e lugares aqui são insubstituíveis.

: Você realmente é confuso.

: Pois é. É unânime. Mas ainda estou vivo e com muito o que fazer. [...] É só não esquecer de mim que eu volto.